Imersão


Foto:Alexandra Sophie

Pronto. Passei dez dias dentro do mar e isso fez uma diferença absurda no meu corpo, na minha alma. Limpou, recarregou e energizou. Os dias passaram um pouco mais rápido do que gostaria mas foram suficientes.

Impressionante como o mar, e ainda o nosso mar, que estrategicamente está na Mata Atlântica, nos reconecta. E é isso que tem morado em mim nos últimos tempos, a real função da alimentação, nos reconectar com a natureza, com nós mesmos.


Na volta, fiquei muito em casa. Cozinhando, lendo e assistindo Netflix. Aliás, na rotina da vida, com trabalho e crianças na escola, nunca tenho tempo de Netflix e aproveitei para mergulhar. Alguns filmes bons, outros nem tanto. Umas duas séries e alguns documentários que queria muito ver. Os que gostei mais, foram os do diretor, roteirista e ativista Kip Andersen: Cowspiracy, The Sustainability Secret e What the Health. Nos intervalos, o livro foi o Sapiens, uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari. E pra terminar, acompanhei um pouco as palestras do II Seminário Fru.to que aconteceu nesse final de semana aqui em SP. Agora estou aqui... cheia de coisas na cabeça, reflexões e vontade de fazer algo significativo na vida!


Os dois filmes do Andersen são complementares. Mostram o grande impacto ambiental que o consumo da carne causa em nosso planeta (Cowspiracy) e a ligação entre alimentação, doenças e muita grana em jogo do sistema de saúde, indústria farmacêutica e alimentar nos Estados Unidos (What the Health). Sim, tem exageros, concordo. É tendencioso, às vezes. Mas alerta para pontos importantes para nós humanos, que somos responsáveis por nossas escolhas de alimentos e pelo cuidado com o planeta. Não dá para ignorar que temos, de fato, um problema de excesso de consumo de carne. Temos um problema de segurança alimentar na maior parte dos países e temos um problema grave, muito grave de poluição do mar. Aliás, recomendo outro doc do Netflix que já havia assistido: A Plastic Ocean. Se informar é urgente! Rever como consumimos, como cuidamos do nosso lixo, é pra ontem.


Foto: Alexandra Sophie

Aí já passo para o Seminário Fru.to. Aliás, o Fru.to não é apenas um seminário e sim uma plataforma de engajamento e mobilização para discutir a alimentação, os problemas, os desafios e as soluções do nosso tempo e para os próximos anos. Essa foi a segunda edição com a presença de vários palestrantes (MUITA gente boa daqui e do mundo) e teve transmissão ao vivo. Além do site, recomendo a visita no canal deles no Youtube. Lá, é possível assistir as palestras do ano passado e logo mais serão disponibilizadas as desse ano.





Mas no meios dessa imersão toda, acontece mais um crime ambiental: a barragem da mineradora Vale se rompe em Brumadinho. E a vontade de voltar para o mar volta na hora. Como lidar com isso?


E eu, ainda tentando lidar com as emoções e sensação de impotência que se apoderou em mim no fim do ano passado, após as eleições. Fico tentando me encontrar e pensar como e o que fazer. É duro demais não fazer nada mas essa onda grande de impotência é forte demais. Enfim, nem estou querendo transformar esse espaço de escrita em sessão de terapia. Então, fui para a cozinha, cozinhar.


E aqui, compartilho a receita de uma torta que fiz na praia que é super simples pois é feita com massa folhada comprada. Sim, não é exatamente saudável, mas, às vezes, é preciso equilibrar as coisas. Uma massa folhada comprada para ficar mais tempo dentro do mar. Sim, esse é o tipo de equação que sei bem a resposta. :)


As fotos lindas dessa postagem são de uma fotógrafa francesa que descobri há pouco tempo: Alexandra Sophie.



Torta de verdes com queijo e tomates 1 maço de escarola 1 maço de espinafre (usei o espinafre chinês) 1 cebola grande, picada 1/4 de xícara de passas amarelas 2 colheres (sopa) de azeite 1/4 de xícara de tomate cereja 100g de queijo fresco (usei um minas mas pode ser de cabra também) 1 dente de alho 1/4 de xícara de um mix de nozes, semente de girassol e de abóbora 1 punhadinho de ervas frescas (usei menta (levante) , tomilho e sálvia), picado 1 pacote de massa folhada congelada sal e pimenta do reino, ao gosto 1 ovo, para pincelar



1. Ligue o forno em temperatura 180 graus.

2. Pique as folhas e a cebola. Leve uma panela para esquentar e coloque azeite. Refogue a cebola primeiro, depois as passas e por último, as folhas. Tempere com sal e pimenta do reino e reserve.

3. Na mesma panela (usei um wok grande), coloque as nozes e sementes, o alho e as ervas picadas. Use as que você tiver. Só tem salsinha? Use salsinha! Refogue por poucos minutos, até as sementes ficarem douradas. Misture no refogado das folhas.

4. Abra a massa conforme as instruções do pacote. Usei uma folha de Papel Dover para não ter que untar a assadeira. Usei uma assadeira redonda de bolo. A massa deve ficar bem fina. Se rasgar, faça remendos com outro pedaço de massa. Use as mãos para moldar. Deixe uma paredinha de massa nas laterais para deitá-las depois de colocar o recheio.



5. Pincele com o ovo batido e leve ao forno por cerca de 50 minutos. Mas sempre dá uma olhadinha pois o tempo vai depender de cada forno. Essa receita fica ótima também com legumes assados: berinjela, abobrinha,cebola e tomate.


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