Página 1, finalmente.

Atualizado: 12 de Jul de 2018


Penso em comida todo o tempo. Vejo o mundo através da comida, gosto de conhecer as pessoas, lembrar de acontecimentos, lugares e momentos através dela. Acho que sempre foi assim, desde criança. Minhas primeiras recordações, nos lugares encantados da infância, como a casa de férias do meu avó, aparecem no coração junto do sabor do feijão preto regado de vinagre do meu tio, as lembranças das pastilhas brancas da cozinha, acompanhadas do aroma do refogado de cebola e alho da panela gigante de arroz da Joana, a cozinheira amorosa e risonha, e por aí vai. 


Mais tarde, mas ainda criança, descobri o prazer de cozinhar. As aventuras no fogão foram ficando cada vez mais ousadas - e agradeço muito minha mãe por ter me dado total autonomia e liberdade para fazer da cozinha meu lugar favorito da casa, mesmo sendo ainda bem novinha. 


Era início dos anos 90, não havia escola de culinária, e eu, estudante de teatro, começava a almejar o que uma menina de vinte almeja: morar sozinha, viajar muito, independência financeira e, um plano B para minha trilha profissional no teatro.  

Vieram, então, os primeiros empregos em restaurantes, no início, como garçonete mas eu logo dava um jeito de ir para a cozinha. O ambiente de uma cozinha profissional não era para qualquer um, principalmente naquela época, ocupada quase que exclusivamente por homens, a grande maioria nordestina ou cearense. E eram todos muuuuito machistas. O mais duro era a realidade dessa maioria: carga horária puxada, extensa e mal paga. A nossa cultura tão escravagista, há vinte e tantos anos era muito mais. E fui passando por algumas cozinhas, aprendendo bastante com esses homens. Alguns deles trabalham comigo até hoje. Vieram, então, as viagens, a estadia na Europa, a visita ao Oriente e a paixão foi além, virou vocação e por fim, trabalho. 


Até nascer minha primeira filha. Por um lado foi uma pausa profissional - que não sei lidar muito bem até hoje - treze anos depois. Por outro, foi o amadurecimento do meu olhar da vida, que sempre foi traçado através da comida mas que passou a ter um sentido maior, mais amplo. Sem dúvida, foi um renascimento. 


Parir e e ser responsável pela formação de um ser humano é intenso. Pois foi aí que fui entendendo a importância política e social que vem junto da comida. A partir do momento que minha filha nasceu e foi se desenvolvendo, viver na natureza passou a ser essencial. A comida está completamente ligada à natureza. E estamos, como sociedade, cada vez mais desconectados. 


Voltar a viver no local que cresci foi o primeiro passo para essa viagem interior, de certa forma de um resgate de quem eu sou e acredito. Ainda é um bairro de uma cidade gigantesca como São Paulo mas é um local com um tempo menos frenético, com bastante verde, algumas ruas de terra e relações mais diretas. 


Começo a escrever nesse espaço para compartilhar receitas, experiências, lugares que gosto aqui na minha região, a Granja Viana. Sempre que posso, participo das ações do Transition Granja Viana, um movimento (mundial, na realidade) que atua intensamente por aqui com preceitos que fazem todo sentido pra mim: cultivar e fortificar a vida comunitária, ter uma vida mais sustentável, repensar a maneira de consumir, resgatar a sabedoria do passado, rever todos os processos.

Acabei falando muito mais do que gostaria nesse primeiro post... a ideia era ser ser mais objetiva compartilhando uma receita, por isso começo com uma foto do almoço de ontem. Mas tenho esse fraco, às vezes, falo demais!


Ontem eu tinha apenas dez minutos para fazer um almoço para nós quatro, marido, eu e dois filhos. Sim, privilegio a comida simples, fresca, feita na hora mas o grande desafio é esse: cozinhar e ainda dar conta de tantas outras coisas da vida. Ontem o jeito foi ter uma "ajudinha". Passei na Rotisseria Eldorado, comprei nhoque (nossa opção de comida rápida) e o tortellini de abóbora e parmesão, que adoro! Lá, a massa é muito bem feita e fresca. Fiz um creme rápido de limão e uma farofinha que cada vez faço de um jeito diferente mas que é uma ótima opção para dar sabor, nutrientes e valorizar massas, sopas, legumes grelhados, saladas, o que você quiser! E é essa  a receita que vou colocar aqui. Mas você pode trocar ou tirar o ingrediente que quiser. O importante é se arriscar e fazer, mesmo que do seu jeito.



Farofa salgada 

1/2 xícara de farinha de rosca (de boa qualidade, aliás, pode ser seu pão que ficou mais duro, batido no processador)

1 colher (sopa) de raspas de limão (usei o Tahiti mas pode ser siciliano)

1 colher (sopa) de castanha de cajú, trituradas

2 colheres (sopa) de sementes de girassol e abóbora

3 colheres (sopa) de azeite

1 dente de alho, picado

sal e pimenta do reino, ao gosto

1 punhadinho de temperos frescos que tinha na horta, picados (sálvia, tomilho, folhas de erva doce)

1 colher (sopa) de parmesão ralado na hora

sal e pimenta do reino, ao gosto



Separe os ingredientes. Pique o alho, as ervas e rale o limão. 

Leve uma frigideira ao fogo e coloque as sementes. Mexendo sempre, doure-as rapidamente. Assim elas liberam os sabores e ficam crocantes. Reserve.

Coloque o azeite na frigideira e deixe esquentar. Desligue o fogo e junte o alho. Rapidamente o alho ficará dourado. Seja rápido para não queimar! Reserve.

Junte todos os ingredientes e tempere com sal e pimenta do reino. Se necessário, coloque mais azeite pois a farofinha deve ficar úmida. 

➨ Coloque salsinha picada e use essa farofinha para rechear cogumelos! 

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