• Thais Roji

Reconexão

Atualizado: 6 de Fev de 2019

Tenho uma mania de reparar nos carrinhos de compras das pessoas. Isso me irrita, já virou toque. Mas sinto que meu caminho como cozinheira tem passado cada vez mais por reflexões de consumo. Meu e dos outros. Então essa mania de observar.


Ainda sobre o Seminário Fru.to... Gostei muito da resposta de um convidado (puxa, não lembro o nome mas acho que era um profissional na área de nutrição) que sugeriu quatro ações importantes para quem deseja melhorar seus hábitos alimentares:


1. Mude o local onde você compra o alimento. Para mudar a alimentação, tenha critérios para escolher seu local de compra.

Muitas pessoas querem melhorar seus hábitos alimentares e acham que a primeira coisa a fazer é contar as calorias. Passa a contar calorias mas continua comprando seus alimentos na mesma rede de supermercado e talvez até comece a comprar um pouco mais de vegetais e frutas mas a mudança continua superficial. Qual supermercado de rede você encontrará algo fresco e orgânico com preço justo? E certamente vai continuar consumindo ingredientes minimamente processados, mas talvez com um light escrito na embalagem.

A relação que você tem com a comida começa antes. Esse consumo deve ser consciente: de onde vem? Quem produziu? Qual impacto trará para a minha comunidade? O dinheiro pago na mercadoria beneficia quem? É um mercadinho do bairro, que beneficia a rede em que pertenço ou uma multinacional?

Priorize uma feira, sempre! Ou um sacolão, delivery de orgânicos que venha direto do produtor, compras coletivas, compras a granel, mercadinho de bairro.


Tenha um vaso. Uma horta! Mas na falta dela, um vaso de tempero. O cuidado diário com essa planta te conecta com a natureza e relembra de onde vem o alimento.

Conexão! Amo essa palavra e na verdade poderia ser, reconexão. Se você começar a cuidar de apenas um vasinho, já é um ótimo começo. O ato de se alimentar pode e deve ser muito mais profundo do que "colocar comida pra dentro para o saco parar em pé".

Troque os alimentos processados por alimentos in natura.

Aqui faz a ponte com o primeiro item dessa postagem... uma ida no supermercado, SEMPRE te faz comprar um monte de coisas que parece necessário, mas geralmente, não é. Pessoas estudam muito e são bem pagas para colocar cada item no lugar perfeito do mercado, com a embalagem incrível para te fisgar. Aí que mora a verdeira reeducação alimentar. Priorizar mais alimentos in natura sempre. Quem sabe se alimentar, com comida de verdade, cria filhos que gostam e se alimentam de comida de verdade. E por aí vai. Não tenho duvida que o problema de saúde pública, a obesidade, diabetes e doenças cardíacas que assolam adultos e crianças cada vez mais, estaria bem reduzido se esse item fosse levado à sério pelas pessoas.

Cozinhe!

Não adianta falar que não sabe, não gosta ou não tem tempo. Comece pelo simples mas cozinhe. Comece fazendo seu suco diário pela manhã. Volte a se relacionar com o alimento, assim como um bebê faz quando é apresentado ao grande mundo da comida. Coloque a mão, descasque, se arrisque. Isso é conexão. Nunca se falou tanto de mindfulness! Acho ótimo mas não esqueça que cozinhar é um grande exercício de reconexão, em primeiro lugar. Sim, já falei, falo de novo: reconexão. Fazer com as mãos. Amar. Concentrar. Aguçar os sentidos. E muito mais que envolve o ato de cozinhar.


Na real fico até me sentindo meio chata com esse blá blá blá mas é que fico refletindo muito sobre tudo isso... Fico observando as pessoas, o regime esquisito e tenso que meu irmão começou a fazer, a minha amiga que foi visitar a irmã que mora longe e comentou como é a rotina de jantar da família, automática, sem vida, sem alegria, no único momento de encontro do dia deles, em como as crianças estão comendo mal, no geral. Enfim! Devaneios que resolvi falar um pouco aqui.


Escolhi essa receita hoje porque falei dela no domingo, com outra amiga que encontrei na Ecofeira (Sim, além de tudo, ir à feira promove encontros). Chegamos na mesma hora e fiquei feliz que ela comprou o espinafre chinês da receita da ultima portagem. Aliás, isso tem me dado uma grande alegria, o feedback de quem está se inspirando aqui no blog e cozinhando por aí. Além do espinafre, ela levou batata doce e falei da receita de ceviche. Também tirou uma foto minha com a Dona Helena, pois sempre falo dela e não tinha nenhuma foto do seu sorriso doce. Ah, ainda "emprestou" a fofura da sua filha Manoela para a foto ficar mais bonita. Valeu, Carol! :)


Na barraca da Dona Helena tem sempre batata doce de várias cores e eu gosto especialmente da laranja. Adoro batata doce! E meu filho ama essa receita de ceviche. Eu amo que ele ama pois é simples, fácil e leva pimenta, meu vício.



Dona Helena, a florzita da Manoela e eu com cara de sono e um bouquet de folhas de batata doce. ;)

A outra receita é também a mais pedida no verão pelos meus filhos: sorvete de pitaya e banana. Sim, é época de pitaya e o que ela perde em sabor - não tem gosto de nada, ganha em beleza. E nutrientes! Super rica em vitamina C! E o que é a cor da pitaya?!


E pegando carona na sazonalidade, tenho visto muito caju no Sacolão. Além de caipirinha, cai muito bem na grelha. Polvilhe um pouco de açúcar mascavo, fio de azeite e grelha. É muuuuito bom!





Pois termino a postagem só reafirmando... mudar dá trabalho, leva tempo e persistência mas é muito bom!

Estamos vivos e os desafios estão aí para nos sentirmos mais vivos ainda.

A felicidade vem em pequenos reflexos, brilhos que nos surpreendem no decorrer do dia a dia... E a vida é HOJE.










Sorvete de pitaya e banana


3 bananas congeladas

1/2 pitaya vermelha


A receita é muito simples: congele as bananas e bata com a polpa da pitaya.

Se estiver muito mole, volte para o freezer. É muito legal fazer para, e, com as crianças.

Aproveite e compre os moldes de picolé, elas adoram!










Ceviche de batata doce

2 batatas doces, sem casca

1 cebola roxa pequena, picada

1 pimenta dedo de moça, sem sementes, picada

1/2 maço de coentro, picado grosseiramente

suco de 1 1/2 limão, grande

3 colheres (sopa) de azeite

sal, ao gosto


1. Cozinhe as batatas até ficarem macias mas firmes. O tempo vai depender da batata mas costuma levar uns 30 minutos, mais ou menos. Vá testando com um garfo. Elas precisam ficar bem firmes para não virar purê.


2. Escorra e descasque. Se você colocar na água gelada, com o choque térmico as cascas sairão facilmente. Corte em cubos pequenos e tempere com sal ainda mornas.


3. Pique o restante dos ingredientes e misture tudo.


4. Tempere com o suco de limão e azeite. Leve à geladeira por pelo menos 4 horas antes de servir ou espere o dia seguinte, estará melhor ainda!





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