Tempo de pensar. E o melhor prato vapt vupt que conheço

Atualizado: 7 de Nov de 2018

Fiquei um bom tempo sem escrever por aqui. Muita coisa acontecendo e a cabeça ficando doida.

Os últimos acontecimentos políticos, tão intensos, reverberam e tem me feito ler muito, refletir muito e debater pouco. Por um lado uma sensação de impotência mas por outro, a certeza que as coisas precisam ser assim para a mudança real acontecer. Uma sensação de estar só mas no minuto seguinte sinto que não, que somos muitos. Uma tristeza profunda, seguida de uma vontade de agir diferente.


"A verdade liberta", essa é uma frase que uma amiga muito querida fala sempre e eu adoro! Sim, a verdade muitas vezes dói, mas liberta. Fiquei surpresa e depois bem triste ao ver em pessoas próximas um olhar de vida equivocado. E não estou falando em moral, veja bem, estou falando de humanidade.

Muitos amigos acham que não é para desestabilizarmos, que nada será tão grave. E que a mudança que querermos ver no mundo, começa mesmo a partir das nossas atitudes individuais, como a forma de consumir, de se alimentar, de cuidar do próprio lixo, etc.


Concordo em partes.

Como viver normal sem notar absurdos que começam a acontecer na sociedade que vivo?

Como não fazer nada, em vista de injustiças, violência e um risco de perder direitos e nossa liberdade de expressão?

Como viver com empatia, me relacionando de verdade com as pessoas em volta, em várias esferas? E mais que isso, como é importante, para mim, viver fora da bolha. São muitas bolhas... Cada um vive como quer, me policio para não entrar em julgamento, juro. Mas o que faz sentido para mim, é saber o que está acontecendo e lutar pelo que acredito. É estar atenta para enxergar fora da bolha.


A preservação do meio ambiente é uma das questões mais fundamentais e penso e repenso cada passo no meu dia a dia em função disso. Como eu consumo, de onde vem o que consumo e quanto lixo estou gerando. São questões presentes nas 24 horas dos meus dias. Embora o poder público seja essencial nessa questão, a força das escolhas individuais também é.


Fico muito surpresa quando percebo as pessoas acharem perfeitamente normal se alimentar de carne todos os dias. Não, não é. Já está acontecendo no mundo inteiro: a consciência que a base da alimentação deve ser vegetal.

Mas aqui, no nosso país, ainda temos que ouvir que "Agro é pop". Isso é, além de não haver leis que interfiram no agronegócio (aliás, estamos prestes de ter leis que facilitem muito mais o agronegócio), as informações divulgadas são completamente deturpadas.


Como diz essa matéria muito esclarecedora da Ailin Aleixo: "Se você soubesse que a agropecuária é a principal razão do desmatamento da Amazônia e do Cerrado? E se você soubesse que é também responsável pela contaminação de rios, lagos e mares com detritos químicos altamente tóxicos, você pensaria em diminuir seu consumo? E se provassem que para aquela comida chegar até tua mesa, houve múltiplos processos de maus tratos, manipulações genéticas e aplicações excessivas de antibióticos e hormônios? E se a OMS (Organização Mundial de Saúde) emitisse um alerta sobre a ligação da ingestão da carne com o aumento da possibilidade de desenvolvimento de determinados tipos de câncer, você repensaria seu consumo?" Bom, recomendo muito a leitura. Aliás, Ailin, jornalista especializada em gastronomia, faz um excelente trabalho no seu blog com reportagens sobre a procedência e a forma que os brasileiros cultivam os alimentos. Várias matérias boas no site dela, recomendo.


O caso é que depois de vinte anos, passei a comer pouquíssima carne, na realidade, quase nenhuma. E sinto que minha saúde está muito melhor, além dos fatores acima. Minha rotina alimentar é toda baseada nas compras que faço na Ecofeira. Geralmente compro uma boa variedade de verduras, hortaliças, ovos e cogumelos e vou pensando nas receitas de acordo com o que tenho. Tudo muito fresco, sazonal e sem agrotóxico. Gasto mais? Garanto que não! Compro direto dos produtores, sem intermediários. A famosa agricultura familiar, dessa forma, além de valorizar seu trabalho, você garante o cultivo saudável da terra, evita o adensamento sem infraestrutura tão comum aqui na região (afinal, a família que vive de sua terra, não vai vendê-la para grandes incorporadoras) e ainda cultiva relações, amizades com essas pessoas. E produz pouco lixo! A Ecofeira já tem oito anos e coloco todas as minhas fichas nesse modelo de comércio. E felizmente ele cresce cada dia mais em boa parte do Brasil.


Para terminar, vou compartilhar uma receita muito simples, que gosto e é muito fácil de fazer: Shakshuka. Gosto dessa versão israelense, com especiarias mas existem versões parecidas, com outros nomes, no México e Itália. As variações se dão no uso do tempero, das especiarias. E sempre pode-se colocar um verdinho para caprichar. Mas, originalmente os ingredientes imprescindíveis (e baratos!) os tomates (que pode ser tomate pelado em lata), pimentão, cebola e ovos. Ah! E uma boa fatia de pão, porque esse prato a gente come com um garfo numa mão, e o pão na outra. :)



Shakshuka

(Para 2 pessoas)


2 colheres (sopa) de azeite

1 cebola pequena, picada

1 dente de alho, picado

1 pedaço pequeno de pimentão vermelho (usei a ponta de um grande que eu tinha)

1 colher (chá) de páprica (usei a picante mas pode ser a doce ou a defumada)

1/2 colher (chá) de cominho

1/2 colher (chá) de pimenta cayenne (ou dedo de moça picada)

1 punhadinho de salsinha, picada (usei 1/4 de xícara)

1 lata de tomate pelado, picado ou 6 tomates picados

3 ovos

Sal, ao gosto

Fatias de pão integral ou centeio para servir junto



Separe e pique os ingredientes como pedido na receita.


Leve uma frigideira pequena ao fogo médio e coloque o azeite. Junte a cebola picada e refogue por uns 2 minutos, depois o alho. Junte o cominho, sempre mexendo.


Acrescente o pimentão e depois os tomatinhos (frescos ou em lata). Misture bem. Tempere com sal, pimenta e páprica. Se estiver usando os tomatinhos picados, junte um pouco de água fervida, para ficar com uma consistência de molho rústico. Deixe cozinhar por mais uns 5 minutinhos, mexendo bem. Diminua o fogo.


Com uma espátula, abra um espaço no molho para colocar o ovo. Faça a mesma coisa com os outros ovos e tempere cada um com um pouquinho de sal.

Cozinhe por mais 5 minutos e tampe a frigideira para cozinhar por mais uns 4 minutos. Gosto de usar uma tampa de vidro para acompanhar o cozimento. Assim que as claras ficarem branquinhas, destampe para não passar o ponto das gemas. Esse prato fica delicioso com as gemas bem moles, justamente para furar cada uma com o pão. Retire do fogo e salpique a salsinha por cima. Sirva com as fatias de pão aquecidas numa chapa, com manteiga.



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