• Thais Roji

Um pão que vale por muitos

Atualizado: 6 de Nov de 2018

Tenho iniciado um outro tipo de aula de culinária. Na realidade sinto ser mais um acompanhamento, um direcionamento do que apenas ensinar três ou quatro receitas. A demanda é ajudar a logística doméstica, com introdução de pratos mais saudáveis e versáteis e a praticidade que os envolvem.


Converso bastante com a dona da casa, para entender a demanda, o ritmo e as preferências. Depois marcamos as aulas - no mínimo 4 - com duração de 3, 4 horas. As aulas são feitas para a cozinheira e geralmente a cozinheira do dia a dia não é a dona da casa. E nem sempre ela gosta de cozinhar! Então, sinto que a primeira etapa é justamente instigá-la a gostar da cozinha. Acredito piamente que o prazer no ato de cozinhar está guardado dentro de cada um, é uma ação primitiva, ligada a sobrevivência e memórias afetivas. Uns têm consciência, outros não e realmente não importa ter consciência. Importa a reconexão.


Vivemos num momento de velocidade, coisas prontas e relações virtuais. Cuidar de si, fazer as coisas, dá trabalho. Descascar um alimento, lavar, cozinhar e lavar louça, dá trabalho. É verdade. E demanda tempo. Mas gastamos o precioso tempo com tanta bobagem... Eu mesma, ando danada comigo mesma, usando mais tempo do que devia com o telefone na mão, instagram, watssapp, etc!

A vibração da cidade, do acúmulo de coisas, da falta de natureza está deixando todo mundo exausto. Eu, pelo menos, estou.

Mas o que gostaria de falar quando iniciei o texto era outra coisa... a demanda por uma alimentação saudável. E esse é o primeiro passo pra mim: como inspirar uma família a ter hábitos mais saudáveis através da sua cozinheira. Não dá para falar em alimentação saudável sem tocar alguns pontos:


1. Consumir mais em feiras orgânicas e menos em mercados;

2. Incluir alguns tipos de alimentos, que nada tem a ver com modismos e sim com o valor nutricional, a criatividade nas receitas, e claro, o sabor. A hora que alguém resolve mudar um hábito alimentar, a primeira coisa que faz é cortar um monte de coisa. Não funciona! Sempre acho que é preciso adicionar e, com tempo, naturalmente, outros alimentos param de ser consumidos;

3. Uma logística prática, para dar conta do negócio! Mesmo se dedicando intensamente à cozinha, ninguém - nem mesmo a cozinheira da casa - pode e deve gastar 100% do seu tempo na cozinha. Praticidade e a ajuda do freezer são fundamentais.

4.Ter consciência na hora das compras: quem cultivou, quando e porque. Não dá para falar em alimentação saudável sem falar em consumo consciente. O produto tem mil e quinhentas embalagens plásticas? Qual é a empresa que o fabricou? Se o alimento é fresco, ele é realmente fresco? Tem agrotóxico, é transgênico? Veio de longe? Quem cultivou? Impactou o meio ambiente de que forma?

"Putz, eu queria só comer mais frutas, preciso mesmo pensar sobre tudo isso?" Sim, precisa. Afinal, mudança de hábitos vai muito além de comer ou não glúten, lactose ou o que se fala no momento. Aliás, consumo consciente é uma GRANDE ferramenta política e social, talvez a maior de todas.

5. Rótulo. Parece óbvio mas ninguém lê. Leia! Tem muitos ingredientes, sendo a maioria nomes extensos e complicados... não compre, não coma. ;)

6. Poluição. Esse tem sido um pensamento recorrente. Principalmente nos tempos atuais, com os nervos à flor da pele, discussões e agressões pré eleição. Não, não estou falando apenas da poluição do ar, da água, do meio que vivemos. Óbvio que isso é um ponto importante mas aqui me refiro à poluição que vem pelos olhos, ouvidos também. Muita besteira e violência vindo de todas as telas que nos cercam, tvs, internet, etc. Barulho, quanto barulho! Notícias ruins, agressões generalizadas nas mídias sociais.


Enfim! A escolha pode e deve ser sua. Peneire. Dá um tempo. Não veja, não responda, não escute. Ouça mais música. Ouça o silêncio. Ande descalço, na grama e olhe para o céu. Sério. :)

Não queria fazer uma postagem com direções, regras e "modo de usar". Desculpe se o tom ficou um pouco assim. Isso tem me incomodado muito também: regras, regras e regras. Amo a liberdade de ser acima de tudo. Mas estava com vontade de falar sobre alimentação saudável, é algo que reflito muito, que está comigo.


E vou colocar uma receita que adoro. Embora eu seja uma apaixonada pelo trigo, pelo pão, pelo glúten, gosto muito desse pão de sementes. É um pão muito nutritivo, uma fatia dele vale a refeição.

Ajuda a soltar o intestino pois tem um composto de fibras que se chama Psillyum (retirado de uma semente de uma fruta asiática), além de várias sementes como chia, linhaça, etc. No livro da Mille tem uma receita parecida, mas para o meu gosto, um pouco mais pesado ela inclui ovos. Nessa aqui não, somente sementes, oleaginosas e aveia. Sem farinha!

Quando estou só, formato almoço para 1, sirvo com salada de abacates, de verdes, uma pasta de vegetais (homus, ou berinjela) e pronto! Alimentada. Você pode trocar as sementes que quiser, só mantenha a chia, linhaça e claro, o psyllium pois ajudam a dar a liga.





Pão de sementes - Vegano e sem glúten

Cerca de 1 pão de forma


30g de semente de abóbora

140g de semente de girassol, sem casca

60g de gergelim

100g de amêndoas, ou castanhas, ou avelãs

85g de linhaça

35g de chia

200g de aveia em flocos

30g de psyllium

2 colheres (chá) de sal

2 colheres (sopa) de melado

40ml de azeite

2 3/4 xícara de água


1. Pique as amêndoas grosseiramente, em pedaços grandes.

2. Misture todas as sementes como pedidas na receita. Doure as sementes numa frigideira ou forno. Cuidado para não queimar! O processo é rápido, o suficiente para soltar o aroma.

3. Junte numa tigela: as sementes, amêndoas, sal, psyllium, aveia. Depois, acrescente a água, azeite e melado. Misture bem.

4. Enforme bem numa forma de bolo inglês (forma de pão de forma). Gosto de usar de silicone para não ter que untar e desenformar com facilidade. Aperte bem! E cubra com papel filme. Leve à geladeira por cerca de 12 horas.

5. Leve ao forno pré aquecido (200ºC) por cerca de 1h20.

6. Espere esfriar um pouco, desenforme e só corte quando estiver totalmente frio. Guarde na geladeira. Costumo congelar a metade pois degusto bem devagar.


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