Viagem em terra interior muda o mundo


Terminei o ano de 2020 com duas leituras impactantes: "O discreto charme do intestino", de Giulia Enders e "Anticâncer - Prevenir e vencer usando nossas defesas naturais", de David Servan - Schreiber.

O primeiro, faz um passeio minucioso pelo corpo humano, evidenciando a importância do intestino e digestão em nossas vidas. "Vivemos numa época em que estamos apenas começando a compreender como são complexas as ligações entre nós, nosso alimento, nossos animais de estimação e o mundo microscópico que existe dentro de nós, sobre a nossa pele e ao nosso redor. Aos poucos, estamos decodificando processos que até pouco tempo costumávamos encarar como partes inexoráveis do nosso destino." Ellen, formada em medicina, doutora em microbiologia fez palestras muito interessantes (com essa aqui) e escreveu esse livro em meados de 2015. E como ela mesma diz, porque gostamos de demonizar alimentos, enaltecer outros e não temos conhecimento do incrível órgão que é o intestino e seu funcionamento. Como ele reage com certos alimentos e porque? Qual a relação das 100 trilhões de bactérias que lá vivem e nosso dia a dia, nossa imunidade, bem estar e surgimento de doenças como depressão, alergias, alzheimer, dentre outras. É fato que 95% das bactérias existentes no mundo não nos prejudicam, pelo contrário, nos ajudam! Enfim, hoje, janeiro de 2021, num dos momentos mais duros da Pandemia de Covid19, vendo as pessoas negarem a ciência, totalmente desconectadas com elas mesmas, se entupindo de vermífugos, e alimentos lixo, essa é uma leitura importante.


Já o "Anticâncer", de David Servan, também médico, já falecido mas que teve uma vasta pesquisa no processo de prevenção e cura da doença, foi extremamente esclarecedor. O livro é fluido e todo embasado em pesquisas científicas e deixa claro que precisamos ter um novo olhar para a alimentação, para o cultivo de alimentos, escolhas e maneira de viver. E nesse momento pandêmico, faz ainda mais sentido! E também fica evidente que não se trata apenas de uma doença como o câncer, mais importante que a prevenção das doenças, é promoção da saúde, nossa e do planeta. Quando você de depara com dados que comprovam que estamos muito mais sujeitos à doenças, depois da 2ª guerra, fica evidente a relação com a dita "revolução verde", isso é, o cultivo da monocultura, com muito uso de veneno. A troca que aconteceu na mesa, da comida de verdade para as comidas ultra processadas. A ligação direta entre uma alimentação de origem animal, principalmente no sistema atual, das grandes corporações, com os animais criados confinados, com ração transgênica ou no mínimo cheia de pesticidas. Vale muito a leitura. Se eu acho que todos deveriam ser vegetarianos? Não, acho que é uma escolha pessoal mas tenho certeza que o consumo deve ser muito, muito menor. Quase zero! Isso já não é um assunto individual e sim, coletivo. Não tenho dúvida que precisamos falar mais sobre e parar de caminhar nas superfícies das coisas.



Todo esse mergulho tem interferido demais na maneira que venho cozinhando e me alimentando. As pessoas gostam muito de rotular um tipo de cozinha, importando muitas vezes, termos em inglês. Me irrito um pouco... mas tem um termo que simpatizo mais: a comida de verdade. Resumindo, essa comida deve ser diversa, da terra, fresca, orgânica. Quando falo que tem que ser colorida, é uma maneira de garantir a diversidade, sem ficar pirando na tabela nutricional. A comida deve ser gostosa! Não dá para pensar em saúde se o prazer não estiver presente. Se for de origem animal, que seja com rastreamento, isso é, que tenha a garantia do animal respeitado, alimentado à pasto. Não tenho comido carne de vaca, frango e porco e isso faz uma grande diferença no meu organismo. Por outra, me força a ser muito mais criativa como cozinheira. Nunca estive tão bem no meu corpo e sinto que tem muito a ver com a introdução de alimentos na minha rotina. Aliás, acredito muito mais na dieta que adiciona novidades do que a que restringe. Alimentos probióticos como iogurte feito em casa, kombucha, kimchi, chucrute e as outras conservas. Assim como os sucos coloridos de vegetais, estão fazendo muito a diferença.


Para terminar, compartilho uma receita coringa, que está sempre presente na minha casa: Salada de quinoa. Digo coringa porque pode ser feita cos os legumes e vegetais que você tiver, assim como a Quinoa pode ter substitutos. É uma delícia e super rica!




Salada de quinoa


2 xícaras de quinoa, cozida

1 tomate

1 cenoura

1 pedaço pq de repolho roxo

1 cebola mini (ou ½ de uma pequena)

1 xícara de salsinha, picada

1 xícara de coentro, picado

sal e pimenta do reino, ao gosto

Para temperar:

3 colheres (sopa) de melasso de romã

3 colheres (sopa) de azeite

1 pitada generosa de tempero para kibe (ou pimentas para kibe, usei da marca Zeenny, que tem pimenta do reino, allspice, manjerona, cominho, menta, cravo canela e rosas)


Usei a quinoa branca e preta, misturada. Era a que tinha. Gosto de variar os tipo quando compro. Coloco para cozinhar com bastante água. Quando a água está quase seca, desligo e tampo a panela. Tempero com sal e pimenta ainda quente. Muitas vezes faço essa etapa num dia para finalizar outra hora. Pico os legumes, os que tenho na geladeira. Os tomates, retire as sementes. Se tiver e gostar de fruta seca, pode colocar. Se quiser variar as ervas, manda bala! Hortelã, cebolinha também fica ótimo! Pimenta também fica ótimo! E se puder, deixe a salada pronta algumas horas na geladeira antes de servir, os sabores dão uma acordada!

Essa é uma receita básica que costumo fazer muito, variando tudo mas com o mesmo princípio. Pode ser feita também com cevadinha, trigo quebrado, cuscuz… :)



2 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo